Uma estrela guia numa época de desigualdades

Frequências de saudação abertas!

Uma das grandes virtudes da ficção científica é o seu poder inspirador. Não apenas o poder inspirador que toda boa literatura possui, mas a capacidade de olhar para o futuro, ou para uma questão filosófica qualquer e nos fazer refletir sobre ela de forma a mudar nossas vidas.

Em particular, foi o que aconteceu com um velho seriado de FC televisiva dos anos 60 chamado “Jornada nas Estrelas”. A história é conhecida. Milhares de pessoas cresceram assistindo o seriado e acabaram seguindo carreiras em ciências ou engenharia. Mas há mais sobre ficção científica, e sobre “Jornada” em particular: o poder de desafiar certas morais sociais e obrigar certas pessoas a encararem seus mais arraigados preconceitos.

Em “Jornada nas Estrelas”, um dos oficiais da ponte de comando era a tenente Nyota Uhura. Uma jovem cidadã dos “Estados Unidos da África”, Uhura era a chefe de comunicações da USS Enterprise e 4ª na cadeia de comando.

E era negra.

Após a primeira temporada de “Jornada”, a atriz Nichelle Nichols pensou em deixar a série e conversou sobre isso com o autor e produtor, Gene Roddenberry. Ele pediu a Nichols que tirasse o final de semana para pensar e desse a resposta na segunda-feira seguinte.

E no sábado, ela se encontrou por acaso com Martin Luther King num evento de caridade.

Vocês podem (e devem!) ouvir sobre o que aconteceu neste encontro, sobre o significado do papel de Uhura nos anos 60 para a luta pelos direitos civis nos EUA e sobre como ela influenciou toda uma geração de artistas, como por exemplo Whoopi Goldberg. Basta clicar no link abaixo e ouvir o podcast StarTalk Radio, com o astrofísico Neil deGrasse Tyson!

http://www.startalkradio.net/show/a-conversation-with-nichelle-nichols/

  • DM Rafael

    A entrevista voou de tão boa! Ou será que foi em dobra? O legal é que ainda tem mais uma hora de papo pra sair.

  • renatorecife

    Foi também o "tapa na cara" da sociedade americana de exibir o primeiro beijo inter-racial. E ainda tinha um japonês quando a II Guerra não era algo tão distante e um russo em plena Guerra Fria.

    • DM Rafael

      Sim, isso era muito legal. E mesmo assistindo numa época e contexto bem diferente da original, o fato de tratar todos com igualdade (mesmo Chekov sendo mais comédia) certamente influenciou na formação do meu carácter. Isso e os conselhos do He-Man.

      • renatorecife

        Cara, a decisão do Hank de não matar o Vingador em O Cemitério dos Dragões foi algo que marcou a minha infância, bem mais que os conselhos do He-Man hehehe mas eu entendo seu ponto.

        Só vi Star Trek no final da adolescência e início da vida adulta, na DirecTV (por isso pra mim é Star Trek e não Jornada nas Estrelas) e mesmo assim era TNG, DS9 e VOY, só fui conhecer a TOS depois com DVDs emprestados de amigos.

        Mas imagino que crescer com esse universo deve ter sido uma experiência incrível.

        • DM Rafael

          Pra ser sincero não tenho certeza de com qual idade eu assistia o Jornada nas Estrelas (alias, eu só falo e escrevo 'Star Trek' e 'Star Wars' pela economia de toques, na minha cabeça é sempre 'Jornada' e 'Guerras' 'nas estrelas'). Eu sei que era um jovem adolescente e que tinha que esperar a oração do pastor na (Record?) acabar para então assistir. E era muito legal, especialmente numa época que não tinha nada parecido na TV.

          A TNG passava aos sábados e eu não curtia muito, mas fiquei muito fã da DS9. O Comandante Sisko é o melhor CO de qualquer filme e série de ST!

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