Tudo muda para Star Wars em 2015

Dois mil e quatorze será o último ano em que a Dark Horse irá publicar histórias em quadrinhos de Star Wars. Desde que a Disney comprou a LucasFilm (e fechou a LucasArts, mas isso é outra história), já era certo que a licença de publicação de gibis iria passar para a Marvel, que também é da Disney. Só não sabíamos quando isso iria acontecer.

Finalmente os bons tempos de Star Wars na Marvel vão voltar!  Não, pera...

Depois do anúncio no começo do ano, tanto Disney, quanto Marvel, LucasFilms e também Dark Horse soltaram press releases comentando a transição. Dan Buckley (presidente, Marvel Worldwide), disse estar excitadíssimo pelo que chamou de privilégio de poder publicar comics e graphic novels do icônico universo. Carol Roeder (diretor de franquia, LucasFilm) agradeceu os vinte anos de contribuições da Dark Horse à franquia. Andrew B. Sugerman (vice-presidente executivo, Disney Publishing Worldwide ) disse que unir LucasFilm e Marvel permitirá contar novas histórias e irá causar sensação entre os fãs. Mas o release que mais me chamou atenção foi o de Mike Richardson, CEO da Dark Horse: ele lembrou que a empresa dele revolucionou o jeito de produzir gibis baseados em franquias cinematográficas e deu uma alfinetada na Marvel (que teve a licença de Star Wars de 1977 a 1986 e produziu muita porcaria); lembrou que já saíram arrebentando quando pegaram a licença em 1989, com Dark Empire, e que foi daí pra melhor. Richardson acrescentou que acha irônico o anúncio vir justo no ano em que considera a crista da onda para a Dark Horse, “que está experimentando seu ano mais bem-sucedido de todos os tempos”, mas que eles irão fechar sua colaboração ao universo de George Lucas com um ano memorável.

Uma promessa que eu acho fácil da Dark Horse cumprir.

Teremos um ano memorável ou não me chamo GENERAL SKYWALKER!

Mas não é apenas isso que 2014 e anos vindouros reservam para o universo expandido de Star Wars. É de conhecimento comum que o “canon” sempre veio de cima para baixo: primeiro os filmes (o G-Canon, do George); depois o que quer que saia para TV (T-Canon); depois todo o resto que saiu com o logo Star Wars nos últimos anos (C-Canon, de continuidade), que engloba os gibis da Dark Horse, a maioria dos livros da Del Rey e os video games — é comum elementos do C-Canon serem usados posteriormente em trabalhos do G-Canon. Por fim, temos o S-Canon (secundário, geralmente ignorado), que engloba alguns dos livros mais antigos e o que a Marvel Comics produziu; Non Canon, que são as histórias de realidade alternativa como a série Infinities da Dark Horse, cenas deletadas dos filmes ou trabalhos cancelados.

Isso tudo pode mudar nas mãos da Disney, que pretende unificar tudo num único universo coeso. Ou ao menos é o que parece depois de uma série de twits entre Leland Chee e Pablo Hidalgo, dois funcionários do LucasFilm Story Group (Chee é o cara que praticamente montou a hierarquia de cânones que eu listei no parágrafo anterior). Ao que parece, esse grupo dentro da LucasFilm irá coordenar as histórias do universo Star Wars, desde os novos filmes ao gibis, passando por séries de TV, livros e games. Quando perguntado se o objetivo era descartar a atual hierarquia de cânone, Chee foi explícito: “Esse é definitivamente um dos objetivos primários do Story Group.”

Por um lado a decisão surpreende, porque faz sentido os filmes terem precedência, afinal é o que realmente dá dinheiro (compare a arrecadação de 380 milhões de Dólares de Episódio III com o gibi mais bem-sucedido de 2013, The Walking Dead, que vendeu 350 mil cópias, a 3.99 Dólares cada). Mas, como fã incondicional do universo expandido de Star Wars em geral, e dos livros da Del Rey em particular, eu não estou reclamando — muito pelo contrário! Há de se comemorar essa elevação na importância das histórias contadas por tantos romancistas, quadrinistas e game desingers competentes.

Fontes:

Este texto também foi publicado no blog do Por trás da Máscara.